Missão

O corpoemcadeia tem como missão dignificar e dar visibilidade às pessoas em situação de privação de liberdade, contribuindo para a humanização das prisões e para o pensamento crítico sobre o sistema prisional e sobre as estruturas de violência.

Inscreve-se no campo das práticas artísticas para a inclusão e transformação social, atuando no cruzamento entre justiça social, direitos humanos e princípios democráticos.



O projeto fundamenta-se numa ética da justiça que reconhece cada pessoa na sua singularidade inalienável e como parte de uma ecologia relacional, onde liberdade e responsabilidade se constroem na interdependência e na afetação mútua.

A Dança Contemporânea e a Psicoterapia Gestalt constituem a matriz de uma prática reparadora e transformadora, comprometida com a construção de comunidades mais justas, seguras e inclusivas.

Metodologias

As metodologias do corpoemcadeia constituem um campo vivo de investigação, no qual os modelos teórico- práticos da Dança Contemporânea e da Psicoterapia  se ajustam e potencializam mutuamente através de uma escuta no “aqui e agora” e reconhecendo que  o todo é sempre maior do que a soma das suas partes.

O trabalho em contexto é desenvolvido por uma dupla co-criativa - artista e psicoterapeuta - que integram saberes e práticas artísticas e relacionais, garantindo uma abordagem simultaneamente estética, terapêutica e social.

A implementação das metodologias envolve observação contínua, sistematização e permanente atualização, combinando processos teóricos e experimentais que cruzam materiais artísticos, terapêuticos, filosóficos e sociais.



A experiência artística mobiliza perceção, emoção e movimento, transformando o corpo em instrumento de observação e experimentação relacional.

Articulada com a Psicoterapia Gestalt, a prática promove insight, elaboração psíquica e contacto emocional, funcionando como um laboratório para o desenvolvimento integral da pessoa.

Dança e psicoterapia convergem na compreensão dos fenómenos psíquicos e na ativação de processos relacionais e simbólicos, criando pontes vivas entre consciente e inconsciente, pessoal e coletivo, poético e político.

Estabelecimentos Prisionais

Equipa

  • Direção Artística e Geral
  • Catarina Câmara
  • Catarina é bailarina, criadora, educadora e investigadora colaboradora do Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais da Faculdade de Direito de Lisboa. Licenciada em Direito (FDUL) e em Dança (ESD-IPL), com formação em Justiça Restaurativa (EFRJ - Bélgica e ISCSP) e como counselor em Psicoterapia Gestalt (IFG - Itália).
  • O seu trabalho desenvolve-se em torno das práticas artísticas centradas no corpo e na relação, na ética do cuidado e em modelos alternativos à justiça tradicional, como a justiça restaurativa e transformadora. Desenvolve e implementa metodologias artísticas e participativas num movimento de integração do corpo poético, político e psicossocial, aplicadas em diversos contextos comunitários e institucionais - escolas, prisões, universidades e instituições culturais.
  • Desde 2019, dirige o CORPOEMCADEIA, projeto artístico para inclusão social, desenvolvido em meio prisional. Publicou artigos em jornais e é autora do livro Corpoemcadeia - Dança, Prisão e Gestalt: Práticas Além do Bem e do Mal, editado em 2026 pela Fundação Calouste Gulbenkian.


  • Direção Executiva e Produção
  • Magda Bull
  • Magda é gestora e produtora cultural com formação em Produção e Gestão de Dança Contemporânea (Fórum Dança, 2001) e em Produção Criativa em Televisão (Universidade Independente, 2004).
  • Há mais de 25 anos que trabalha de forma contínua no setor cultural, assumindo múltiplas funções na produção, gestão e acompanhamento artístico. Colaborou com diversos artistas e estruturas de referência, tanto em contextos de criação como de programação. Colaborou, enquanto técnica especializada, com a Direção Geral das Artes (2017- 2018) no âmbito do novo modelo de apoio às artes. Destaca a sua colaboração como gestora na Companhia Olga Roriz (2018–2023), coordenando, entre outros projetos, a 1ª edição Corpo em Cadeia (2019–2022).
  • Mais recentemente, coordenou a produção da representação oficial portuguesa na 60.ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia. Tem acompanhado nos últimos anos diversas entidades e projetos culturais enquanto consultora externa convidada.
  • Fundou a associação cultural Creative Connection (2023), com o objetivo de promover projetos artísticos e sociais nas áreas artísticas do design, do saber-fazer e das artes performativas.


  • Artistas Residentes
  • Magnum Soares
  • Magnum é artista multidisciplinar que atua entre a dança, as artes visuais e o teatro de marionetas. Reside em Portugal há uma década, onde se formou em Dança-Teatro e desenvolve uma pesquisa centrada na fusão entre corpo e matéria. A sua prática transforma materiais recicláveis e recursos não convencionais em movimento, gesto e poesia visual.
  • Como arte-educador, desenvolve projetos de criação com comunidades, aproximando a dança e o teatro de marionetas como instrumentos de imaginação, encontro e transformação coletiva.
  • Marlene Vilhena
  • Marlene é licenciada em Matemática. Formação na E. S. Dança e Fórum Dança. Profissional em dança, yoga e massagem. Apoia a direção artística de projetos da DeVIR/CAPa - destaca Partis & Art For Change e curso FAAP.
  • Move-se entre a dança contemporânea, artes marciais, práticas somáticas e terapêuticas em contexto artístico e comunitário. Interessa-se por processos de criação, transformação e autoconhecimento assentes na escuta, reflexão e intuição, sonho, consciência e conexão humana. Através do corpo, respiração e toque investiga presença, encontro, silêncio, expressão e liberdade.


  • Terapeutas Residentes
  • Mariana Ferreira
  • Mariana é psicoterapeuta psicanalítica, especializada em psicanálise relacional e estudante de psicanálise lacaniana, é formada em Reabilitação Psicomotora pela FMH. Aprofunda o estudo de práticas somáticas numa perspetiva terapêutica - Dynamic Theatre, Deep Memory Process e Disciplina do Movimento Autêntico. Interessa-se pela criação de espaços terapêuticos que sejam simultaneamente de segurança e risco.
  • Como psicoterapeuta está implicada na invenção da palavra que é próxima da experiência do corpo – o insuportável da experiência humana, o visceral e o poético.
  • Roberto Chiodelli
  • Roberto é psicólogo clínico (Ph.D. pela Universidade do Algarve) e trabalha na interface entre corpo, emoção e consciência. A sua prática integra mindfulness, terapia corporal e dinâmicas de grupo em contextos clínicos, educativos e comunitários.
  • Interessa-se por processos de transformação que passam pela escuta do corpo, pela expressão e pela criação de espaços de presença e encontro.


  • Monitorização e Avaliação de Projeto
  • Lia Pappamikail
  • Marta Tagarro
  • Rafela Alves


  • Consultoria Jurídica
  • Sónia Moreira Reis


  • Investigadora-colaboradora
  • Ana Dinger


  • Design
  • Joana&Mariana


  • Website
  • Atelier Mútuo


  • Fotografia e video
  • Miguel Afonso


  • Gestão website e redes sociais
  • Fabiana Miranda


  • Assessoria de imprensa
  • Rita Bonifácio 


  • Parcerias Estratégicas
  • Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
  • Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus
  • Estabelecimento Prisional de Odemira


  • Parceiros Artísticos
  • Devir/Capa: Centro de Artes Performativas do Algarve
  • Companhia Olga Roriz
  • CRIA_ Centro em Rede de Investigação em Antropologia
  • And Lab: Centro de Investigação em Arte - Pensamento & Políticas da Convivência


  • Parceiros Académicos
  • Centro de Investigação de Criminologia e Direito Penal da Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa
  • InstitutoPolitécnico de Santarém: Escola Superior de Educação de Santarém
  • Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa
  • Observatório Europeu das Prisões


  • Parceiros Internacionais
  • Fórum Europeu de Justiça Restaurativa (BE)
  • Instituto Gestalt de Florença (IT)

Historial

O CorpoEmCadeia nasceu em 2019 no Estabelecimento Prisional do Linhó, no âmbito da iniciativa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social, da Fundação Calouste Gulbenkian, promovido pela Companhia Olga Roriz.

Após a primeira edição (2019–2022) e a apresentação do espetáculo A Minha História Não é Igual à Tua, o projeto estabeleceu as bases metodológicas e filosóficas do projeto.

Desde então, o CorpoEmCadeia deu continuidade ao seu trabalho no Linhó e expandiu a sua intervenção para o Centro Educativo Padre António Oliveira, em Caxias.

O projeto CorpoEmCadeia Linhó–Caxias integra o plano de atividades 2026–2030 da Companhia Olga Roriz, com o apoio da Direção-Geral das Artes e da Fundação “la Caixa”, consolidando a sua ação artística e social em contextos de privação de liberdade.